O consumo exagerado de produtos e serviços pode ser resultado de sentimentos como ansiedade e solidão. A saúde mental das pessoas é afetada por esse ciclo, que, muitas vezes, ocorre seguidamente. Buscar ajuda junto a profissionais de saúde é uma alternativa que deve ser considerada.
A psicóloga da Hapvida, Lua Helena Moon Martins Cardoso, afirma que comprar faz parte da vida. “Mas, hoje, essa prática se tornou mais do que uma simples necessidade ou um pequeno prazer. Para muitas pessoas, o ato de consumir virou uma fuga emocional, uma tentativa de preencher vazios internos com sacolas cheias”, conta.
Para ela, ansiedade, insatisfação e solidão formam um tripé de sentimentos difíceis que acabam “empurrados para debaixo do tapete do consumo”. “E não é coincidência: vivemos em uma sociedade que não apenas nos incentiva a comprar, mas nos convence de que felicidade, sucesso e identidade estão à venda. O problema é que esse alívio nunca dura e o ciclo se repete”, avalia.
Os números do mercado são atraentes. Somente no ano passado, a expectativa era que o consumo das famílias brasileiras atingisse R$ 7,3 trilhões, segundo o estudo IPC Maps. O automóvel era o bem mais desejado.
Do ponto de vista psicológico, a compulsão por compras, conhecida como oniomania, não é apenas falta de controle. Como em uma armadilha, há um roteiro emocional previsível: primeiro, a euforia ao adquirir algo novo; depois, a culpa e a angústia pelo excesso.
Para escapar desse mal-estar, Lua Helena cita que muitas pessoas voltam a comprar, reforçando um ciclo que pode levar ao endividamento e ao sofrimento emocional. “Alguns sinais de alerta incluem a necessidade constante de comprar para lidar com emoções negativas, o arrependimento imediato após a compra e a dificuldade de controlar os gastos, mesmo quando eles comprometem a vida financeira”, declara a psicóloga.
Bens são métrica de valor pessoal
A questão vai além do espaço individual. “A sociedade moderna construiu uma lógica que inverte a realidade, transformando bens materiais em métrica de valor pessoal. Quanto mais se tem, mais se vale. Crédito fácil, salários baixos e desigualdade econômica criam um ambiente onde comprar parece uma necessidade para se sentir aceito”, afirma a psicóloga.
A constatação é antiga. Desde a Revolução Industrial, pensadores já apontavam que o consumismo não é apenas um desejo individual, mas uma construção coletiva que aprisiona. Por isso, Lua Helena avalia que, para romper com essa lógica, há a necessidade de uma mudança pessoal: aprender a reconhecer e lidar com as emoções sem recorrer ao consumo. Ao mesmo tempo, há questões coletivas, como a educação financeira e um questionamento profundo sobre o que realmente nos define.
“Se crescemos acreditando que comprar é sinônimo de realização, talvez seja hora de redefinir o que realmente importa”, afirma Lua Helena. Nessa redefinição, a procura por atendimento junto a profissionais, como psicólogos, é importante.
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ROGERIO TADEU RUEDA JUNIOR
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