O Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia é comemorado em 26 de março. Também conhecido como “Purple Day” ou “Dia Roxo”, o movimento surgiu nos EUA, em 2008, e tem sido um esforço mundial para aumentar a conscientização sobre a doença. Uma das ações é estimular as pessoas a usarem a cor roxa, na data, e promover eventos que tragam esclarecimento e acabem com os mitos sobre a doença e seus portadores.
A epilepsia é uma alteração do funcionamento do cérebro, que pode ser temporária e reversível. Há uma emissão de sinais incorretos, que se limitam a uma região ou se espalham, causando crises mais ou menos aparentes, nos seus sintomas, dependendo da intensidade.
Cada vez mais estudos apontam novos caminhos de tratamento, com base na alimentação, para distúrbios neurológicos como a epilepsia, que pode ser incapacitante e é muito mais comum do que se imagina, inclusive em crianças. Mais de 2 milhões de casos são diagnosticados anualmente.
É uma enfermidade crônica que acomete, em torno de 1% da população, sendo que 60% se iniciam na infância e 20 a 30 % desses pacientes evoluem de forma refratária ao tratamento medicamentoso, sendo resistentes aos anticonvulsivantes. E quando isso acontece são classificados como portadores de Epilepsia Refratária.
“A terapia dietética cetogênica pode ser utilizada como uma opção para epilepsias quando há uma resistência aos fármacos e é indicada após o uso de 2 ou 3 medicamentos, em doses apropriadas, sem resposta clínica, e em outras doenças como tratamento primário”, explica Dra. Tania Mara Perini, especialista em Nutrologia Pediátrica pela ABRAN/SBP/AMB/CFM e em Terapia Intensiva Pediátrica pela SBP/AMIB/AMB/CFM.
Estudos mostram que dos 30% dos pacientes que não melhoram com a farmacoterapia, 70% têm suas crises zeradas ou pelo menos uma melhora de 50%, com a Terapia Cetogênica, o que a torna uma modalidade importante para o tratamento da Epilepsia Refratária a medicamentos.
Dra. Tania observa que “para as crianças portadoras da doença a relevância da Dieta Cetogênica deve-se ao fato de que 50% dos casos de epilepsia manifestam-se antes dos cinco anos de idade, tornando essa patologia a doença neurológica mais frequente da infância”.
Por ser uma dieta não convencional, rica em gorduras, adequadas em proteínas e pobre no teor de carboidratos, tem o objetivo de manter os níveis de cetonas altos no sangue, que serão utilizados como fonte de energia.
“Em condições normais, o corpo usa o carboidrato como fonte energética. O objetivo desta dieta é imitar os efeitos que o jejum promove no corpo, para alcançar um efeito antiepiléptico, reduzindo o número de crises diárias. Inicialmente, é testada por 3 meses. Se nesse período ocorrer redução no número de crises, ela é continuada por pelo menos 2 anos”, detalha.
A pediatra e nutróloga alerta que a dieta deve ser rigorosamente calculada, seguida em detalhes e suplementos de vitaminas e minerais podem ser necessários. “Para isso, é fundamental ter devidos cuidados na seleção dos alimentos, manipulação da dieta, pesagem correta dos ingredientes, clareza de informações de todas as pessoas que estejam envolvidas no cuidado da criança. Existem vários tipos de Dieta Cetogênica e somente uma equipe multidisciplinar pode definir qual deverá ser o escolhido para o paciente. O nutrólogo faz parte dessa equipe e é o profissional responsável pelo controle clínico e metabólico”.
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