A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou um parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a quebra de sigilo em um processo que investiga a rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master. Este movimento foi uma resposta ao pedido do ministro Alexandre de Moraes, que enfatizou a necessidade de transparência no caso.
O parecer da PGR surge em um contexto de crescente atenção sobre as investigações relacionadas a Vorcaro, especialmente em um julgamento marcado para esta terça-feira (15), onde o plenário do STF deve decidir sobre a abertura de uma nova investigação contra Moraes. O vice-procurador-geral, Hidenburgo Chateaubriand Filho, argumentou que a retirada do sigilo é vital para entender a complexidade do assunto em questão.
Atualmente, o STF já levantou o sigilo de 53 linhas de investigação derivadas da Operação Compliance Zero, que investiga corrupção e fraudes financeiras associadas a Vorcaro. Entretanto, o processo específico sobre os pagamentos do ex-banqueiro permanece sob sigilo. A PGR revelou que não tinha conhecimento sobre a existência desse processo, que não é acessível em seus registros.
Durante o julgamento, os ministros analisarão um relatório da Polícia Federal que apresenta mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes, as quais foram recuperadas de um celular apreendido. As mensagens indicam uma relação próxima entre os dois e incluem discussões sobre um contrato de R$ 131 milhões e investigações da PF.
O caso gerou uma crise interna no STF, especialmente após o relator André Mendonça ter retirado o sigilo de documentos, levando a desavenças diretas entre os ministros. A PGR também questionou a regularidade da produção do relatório, sugerindo que Mendonça não deveria ter avançado nas investigações sem a aprovação do plenário.
Em resposta às acusações, Moraes apresentou um documento que supostamente aponta um direcionamento político nas investigações por parte de Mendonça, embora este documento não possua assinatura oficial e tenha sido rotulado como “sem valor probatório”. Moraes ainda pediu a abertura de uma investigação contra Mendonça por abuso de autoridade e improbidade administrativa, com julgamento agendado para 23 de setembro.

