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Início - BEM-ESTAR - Disfunção da tireoide não é diagnosticada em 60% dos casos no Brasil
BEM-ESTAR

Disfunção da tireoide não é diagnosticada em 60% dos casos no Brasil

Lara Pereira20/08/202600
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Profissional de saúde examina o pescoço de uma paciente durante consulta em uma clínica
A palpação do pescoço costuma ser um dos primeiros passos quando os sintomas apontam para a glândula tireoide.
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A disfunção da tireoide passa despercebida na maior parte dos casos brasileiros, segundo estimativas do Ministério da Saúde. Cerca de sessenta por cento de quem tem a doença nunca recebeu diagnóstico, e o IBGE aponta quinze por cento da população afetada. O gargalo está no reconhecimento dos sinais, antes de qualquer tratamento.

Reportagem do Portal de Notícias sobre alteração na tireoide sem diagnóstico reuniu os números e mostrou um percurso comum. O cansaço se arrasta por meses, o peso sobe sem mudança de rotina, e a dosagem hormonal só aparece por acaso. A glândula, então, entra tarde na conversa.

Quantos brasileiros convivem com disfunção da tireoide sem saber?

A maioria das pessoas com alteração na glândula no Brasil segue sem diagnóstico, segundo o Ministério da Saúde.

A estimativa oficial descreve um problema de reconhecimento do quadro clínico. O exame que mede a função tireoidiana é simples, barato e disponível na rede pública de saúde. O que falta, na prática, é a suspeita que leva o paciente até ele.

IndicadorNúmeroFonte
Pessoas com doença de tireoide que nunca receberam diagnósticocerca de 60%Ministério da Saúde
População que convive com alguma disfunção tireoidiana15%IBGE

Os números descrevem duas faces do mesmo quadro. Muita gente convive com a doença, e boa parte dela ignora que convive. A distância entre uma coisa e outra é o subdiagnóstico da disfunção da tireoide.

O que é disfunção da tireoide e como ela afeta o organismo?

A tireoide é a glândula do pescoço que regula o ritmo do metabolismo por meio de hormônios.

Quando a glândula produz hormônio de menos, o corpo inteiro desacelera, quadro que a medicina chama de hipotireoidismo. Quando produz em excesso, o organismo acelera, e o nome do quadro passa a ser hipertireoidismo. As duas situações compõem a disfunção da tireoide.

O hormônio tireoidiano governa temperatura, batimento cardíaco, humor e velocidade com que o intestino trabalha. Por isso a queixa quase nunca chega isolada ao consultório. Ela vem em conjunto, e cada peça parece ter explicação própria.

Por que os sintomas da tireoide passam despercebidos por anos?

Porque cada sinal, sozinho, cabe em explicações banais do dia a dia.

Cansaço vira excesso de trabalho, e o ganho de peso vira desleixo com a alimentação. A queda de cabelo entra na conta do estresse, e o frio, na do clima. Nenhum desses sintomas aponta sozinho para a glândula do pescoço, e o conjunto raramente é somado.

Os sinais mais comuns da disfunção da tireoide são estes:

  • cansaço persistente, mesmo depois de noites longas de sono
  • ganho de peso sem mudança na alimentação ou na rotina
  • sensação de frio em ambientes confortáveis para outras pessoas
  • queda de cabelo e pele seca
  • lentidão de raciocínio e dificuldade de concentração

A trajetória costuma ser longa. O paciente troca de queixa e de consultório, ajusta a dieta, dorme mais, e nada muda. O pedido de dosagem hormonal chega, na maioria das vezes, dentro de um exame de rotina.

Quando o cansaço sem explicação justifica investigar a tireoide?

Quando ele aparece junto de outros sinais e não melhora com descanso nem com mudança de rotina.

A SBEM Regional São Paulo, ao listar os sinais de hipotireoidismo, orienta procurar médico diante de cansaço sem motivo aparente, pele seca ou rouquidão. A entidade indica o TSH, exame de sangue que mede o hormônio estimulante da tireoide, como primeiro passo. O resultado orienta o que investigar depois.

A combinação de sinais abaixo é a que costuma justificar a dosagem hormonal:

  • cansaço que não melhora com descanso
  • ganho de peso sem mudança na alimentação
  • pele seca acompanhada de queda de cabelo
  • obstipação intestinal persistente
  • rouquidão sem quadro respiratório associado
  • sensação de frio fora de contexto

Nenhum item da lista, isolado, fecha diagnóstico. O valor da régua está na soma, porque é ela que muda a conversa dentro do consultório.

O que a tireoide explica e o que não explica no ganho de peso?

A glândula lenta contribui para o peso, mas raramente responde sozinha por grandes variações.

Na campanha do Dia Internacional da Tireoide, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia pede profundidade nessa associação. A queda do metabolismo pesa na balança, e o efeito costuma ser modesto. Atribuir toda a variação de peso à glândula atrasa a investigação do resto.

Sono curto, alimentação, uso de certos medicamentos e nível de atividade física entram na mesma conta. A disfunção da tireoide participa do quadro, sem encerrar a explicação do peso. Tratar apenas a glândula costuma frustrar quem esperava resposta rápida.

Por que a dose de hormônio não é a mesma para todo mundo?

Porque a dose se ajusta ao exame, ao peso, à idade e à resposta de cada paciente.

A SBEM Regional São Paulo descreve o tratamento com levotiroxina, hormônio sintético que repõe o que a glândula deixou de produzir. A dose de manutenção pode mudar com o tempo, o que exige visitas de acompanhamento. Não existe medida única servindo a todos.

O médico Eliphas Levi Assumpção Egg Gomes, com atuação em hormonologia, emagrecimento e longevidade, fundou o Instituto Evolvian, clínica de Minas Gerais que trabalha com reposição hormonal personalizada a partir da investigação individual de cada paciente.

O médico afirma que a ordem dos passos é o que costuma falhar. “Quando alguém chega cansado e sem conseguir emagrecer, o erro mais comum é tratar o sintoma isolado antes de entender o que o corpo está sinalizando por dentro.”

A individualização da dose começa na investigação inicial, segundo o médico. “Não existe dose padrão de hormônio que sirva para todo mundo e é por isso que a investigação precisa vir antes de qualquer tratamento, sempre com acompanhamento.”

O que muda na rotina de quem recebe o diagnóstico?

A rotina passa a incluir medicação diária em jejum e retornos periódicos ao consultório.

O acompanhamento serve para checar se a dose continua adequada ao momento do paciente. Peso, idade e uso de outros medicamentos alteram a necessidade hormonal. Por isso a consulta de retorno faz parte do tratamento, e não é uma etapa opcional.

O que entra na rotina depois do diagnóstico:

  • tomar a levotiroxina sempre no mesmo horário, em jejum
  • repetir o TSH nos intervalos indicados pelo médico
  • comunicar mudanças de peso ou de uso de outros medicamentos
  • registrar sintomas que voltam ou que somem entre as consultas

A melhora dos sintomas costuma ser gradual, e não imediata. Quem convive com disfunção da tireoide acompanha esse ajuste junto do médico que pediu o exame. Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta com um médico licenciado.

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