O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu desmarcar o julgamento que investigaria a condução do ministro André Mendonça como relator do caso Master. A sessão estava agendada para a próxima quarta-feira (23) e faz parte de um contexto mais amplo da Operação Compliance Zero, que investiga corrupção e fraudes financeiras.
A decisão de Fachin ocorreu após uma sessão extraordinária em que o decano do STF, ministro Gilmar Mendes, levantou uma questão de ordem sobre a investigação de um suposto elo entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master.
Durante a sessão, Mendes argumentou que as investigações sobre Mendonça e Moraes são correlatas e deveriam ser julgadas em conjunto. O plenário começou a votar sobre a proposta, mas o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, com o placar em 4 a 3 a favor do julgamento separado.
Fachin, ao desmarcar o julgamento de Mendonça, destacou a “direta relação” entre os processos. Ele afirmou que a inclusão em pauta será redesignada em momento oportuno.
A iniciativa de priorizar o julgamento de Moraes na sessão de terça-feira partiu de Fachin, que também havia agendado o processo de Mendonça para o mesmo dia. Na semana anterior, Fachin negou o pedido de Moraes para que ambos os casos fossem analisados juntos, argumentando que as análises sobre a relatoria de Mendonça impactam diretamente seu caso.
O STF enfrenta uma crise institucional desde que Mendonça, em sua relatoria do caso Master, levantou o sigilo sobre um relatório da Polícia Federal que continha mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes, sugerindo uma relação próxima entre eles.
Nas mensagens, Vorcaro menciona um contrato de R$ 131 milhões relacionado ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes, e busca informações sobre uma operação policial que visava sua prisão. As mensagens foram trocadas entre 2023 e 2025, período que culminou na prisão de Vorcaro.
Na sessão da terça-feira, Moraes reiterou que nunca teve diálogo com Vorcaro, questionando a veracidade das mensagens. Durante o debate, houve troca de acusações entre Moraes e Mendonça, que se acusaram mutuamente de motivações políticas.

