Quem faz compras em sites internacionais hoje descobre as lojas mais pelo que vê na internet do que pela conversa com amigos, com 49% chegando pelas redes sociais e 41% por anúncios na internet, enquanto a indicação de amigos ou familiares caiu para 30%, segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o SPC Brasil.
A queda é de 13 pontos percentuais em dois anos.
O movimento acontece justamente quando o volume de pacotes vindos de fora está em alta. Para o consumidor, muda a forma de checar uma loja antes de pagar. Para quem vende pela internet, muda algo maior, porque a vitrine passa a depender de anúncio no ar todos os dias.
O que a pesquisa da CNDL e do SPC Brasil mostra sobre compras em sites internacionais?
A pesquisa mostra que redes sociais e anúncios passaram à frente da indicação pessoal como porta de entrada para lojas estrangeiras.
O levantamento Compras em sites internacionais foi feito pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, e divulgado em 21 de setembro para medir por qual caminho o consumidor conheceu os sites onde compra.
| Canal pelo qual o comprador conheceu a loja estrangeira | Participação entre os compradores |
|---|---|
| Redes sociais | 49% |
| Anúncios na internet | 41% |
| Indicação de amigos ou familiares | 30% |
Lidos juntos, os números mostram que quase metade dos compradores chegou às lojas de fora pelas redes sociais e cerca de quatro em cada dez por anúncio pago.
A indicação pessoal, que por muito tempo foi o caminho mais comum para conhecer um site confiável, ficou em terceiro lugar.
Para o leitor, a consequência prática é direta.
Boa parte das lojas estrangeiras que aparecem na tela do celular está ali porque pagou para aparecer, e o anúncio mostra a oferta sem dizer nada sobre entrega, troca ou atendimento.
Compras em sites estrangeiros crescem depois do fim da taxa das blusinhas
O volume de compras em lojas de fora disparou depois que o imposto federal sobre pequenas encomendas foi zerado, em maio.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), com dados da Receita Federal, as compras de brasileiros em sites estrangeiros cresceram 67% entre junho e agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado, somando US$ 1,61 bilhão, cerca de R$ 8,2 bilhões, em três meses.
A mudança que abriu caminho para essa alta foi uma Medida Provisória editada em maio pelo governo federal, que voltou a zerar o Imposto de Importação para compras de até US$ 50.
A cobrança, apelidada de taxa das blusinhas, havia entrado em vigor dois anos antes.
Somente em agosto, chegaram ao Brasil 26,5 milhões de mercadorias importadas pelo Programa Remessa Conforme, contra 15,2 milhões no mesmo mês do ano anterior, de acordo com o mesmo levantamento da Abit.
Mais pacotes chegando significa mais lojas disputando a atenção do mesmo consumidor.
Como a descoberta passa cada vez mais por anúncio, quem vende pela internet, de dentro ou de fora do país, precisa pagar para aparecer em uma vitrine mais concorrida.
Por que o anúncio passou a fazer o papel da indicação de amigos?
Os dados sugerem que a vitrine digital ocupou parte do espaço que antes pertencia à conversa entre conhecidos.
A relação entre os números é uma leitura, e não uma causa comprovada. A CNDL e o SPC Brasil mediram de onde o consumidor veio, sem investigar por que ele mudou de hábito, e o primeiro contato com a loja estrangeira aparece mais nas redes e nos anúncios do que na indicação.
Redes sociais e plataformas de anúncio exibem produtos de acordo com o que a pessoa já buscou, curtiu ou comprou. Quem antes pedia a opinião de um parente sobre uma loja de fora hoje encontra o produto antes mesmo de procurar por ele.
Há um limite claro nessa interpretação.
A queda de 13 pontos na indicação e a liderança dos canais digitais aparecem no mesmo levantamento, mas a pesquisa não mede se uma coisa provocou a outra, e o consumidor pode usar vários caminhos ao mesmo tempo.
Para quem faz compras em sites internacionais, a mudança pede uma checagem extra. A recomendação de alguém próximo trazia junto uma experiência real de entrega e troca, enquanto o anúncio traz apenas a oferta.
O que muda para quem vende pela internet?
Quem vende online passa a depender de anúncio ativo para ser encontrado, já que o boca a boca perdeu espaço na descoberta de lojas.
A mudança vale também para o lojista brasileiro, que disputa a mesma tela com as lojas de fora. Se cerca de quatro em cada dez compradores chegaram a um site por anúncio, a campanha no ar funciona, na prática, como a própria vitrine da loja para quem ainda não a conhece.
Os negócios mais expostos são os que vendem só pela internet e concentram a divulgação em um único canal pago. Entram nesse grupo lojas virtuais de resposta direta, vendedores que trabalham com dropshipping, produtores de cursos online e afiliados que ganham por venda.
Para esse vendedor, manter o anúncio no ar todos os dias entra na mesma lista de cuidados que manter o estoque abastecido e o site funcionando.
Um dia sem campanha tende a ser um dia com menos visitas novas.
O avanço das compras em sites internacionais reforça esse cenário. Com mais lojas estrangeiras anunciando para o público brasileiro, o espaço disputado nas redes e nos buscadores fica mais caro e mais concorrido para todos.
O que acontece com a loja quando a conta de anúncio é bloqueada?
Quando a conta de anúncio é bloqueada, as campanhas saem do ar e a loja deixa de aparecer para quem ainda não a conhece.
As plataformas de anúncio podem suspender contas por suspeita de violação das regras, problemas de pagamento ou alertas automáticos de segurança. Até a análise terminar, o anunciante fica sem acesso às campanhas, e a vitrine que trazia visitantes novos some da tela do consumidor.
Para quem anuncia em volume, o bloqueio entra na lista de riscos previsíveis do negócio, ao lado de uma falha no site ou de um atraso de fornecedor.
Anunciantes que dependem de uma única conta sentem o impacto mais rápido, porque ficam sem outro caminho para manter a loja visível.
Por isso, parte dos anunciantes trabalha com um plano de continuidade, conhecido como contingência. São estruturas de anúncio de reserva, prontas para assumir as campanhas enquanto a conta principal está parada.
Quem atende anunciantes que precisam manter a vitrine no ar?
A Alfa Manager atua na contingência de ativos de anúncio para empresas que não podem parar de anunciar.
Com três anos de mercado, a empresa trabalha com soluções digitais para que negócios continuem operando mesmo quando uma conta de anúncio cai. O foco principal é a contingência de ativos de anúncio da Meta com histórico de gasto, estruturas que já rodaram campanhas e servem de reserva ao anunciante.
A empresa trata a venda de ativos como comércio. Cada ativo tem procedência, passa por validação antes da venda e é entregue com garantia por escrito.
Toda a operação é digital, do atendimento ao suporte e à entrega. A Alfa Manager soma mais de 5 mil estruturas de contingência entregues a anunciantes que dependem de tráfego pago.
Para o lojista que vive de anúncio, o serviço de reposição de contas bloqueadas funciona como parte do plano de continuidade, pensado para encurtar o tempo em que a loja fica fora da tela do consumidor.
O que o consumidor pode conferir antes de comprar em uma loja de fora?
Antes de comprar em uma loja estrangeira que apareceu em um anúncio, vale checar reputação, custo final e regras de troca.
O anúncio mostra o produto e o preço, mas não conta como a loja lida com entregas atrasadas ou devoluções. Alguns minutos de pesquisa antes de pagar evitam boa parte das surpresas, principalmente em compras de valor mais alto ou acima da faixa isenta do imposto federal.
- Procure o nome da loja em sites de reclamação e em avaliações de outros compradores.
- Confira se a plataforma participa do Programa Remessa Conforme, da Receita Federal, que reúne as lojas enquadradas nas regras de tributação das pequenas encomendas.
- Some frete, impostos estaduais e a cobrança do cartão antes de comparar com o preço de uma loja nacional.
- Leia a política de troca e devolução e o prazo de entrega informado pela loja.
- Desconfie de preços muito abaixo dos praticados por outras lojas para o mesmo produto.
Com a descoberta de lojas cada vez mais nas mãos dos anúncios, a checagem que antes vinha pronta na indicação de um amigo passa a ser tarefa de quem faz compras em sites internacionais.
Poucos cuidados antes do pagamento separam uma boa compra de uma dor de cabeça.

