Há 30 anos, Sandra Assali despediu-se do marido, o médico cardiologista José Rahal Abu Assali, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Ele embarcaria em um voo da TAM para o Rio de Janeiro, mas, apenas 24 segundos após a decolagem, a aeronave caiu, atingindo prédios e casas nas proximidades, resultando na morte de todas as 96 pessoas a bordo e de três pessoas em solo.
“O luto é permanente”, afirma Sandra, que na época tinha dois filhos pequenos. “A perda de alguém sempre marca. Você nunca esquece o momento em que recebeu a notícia”, lembra. Para ela, falar sobre o acidente é essencial para “manter essa data viva” e continuar avançando na vida.
A tragédia provocou uma mudança drástica na vida de Sandra e de diversas famílias. “A vida dá uma guinada. Você se vê no papel de pai e mãe, algo que não era planejado”, conta ela. Sem o apoio adequado da companhia aérea, Sandra e outros familiares fundaram a Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos (Abrapavaa), buscando garantir assistência às famílias afetadas por acidentes aéreos.
Desde sua criação em 1997, a associação tem promovido congressos e atuado em mais de 300 casos de acidentes aéreos. Sandra destaca que, após o acidente, houve uma mudança significativa nas investigações e no suporte às famílias. “Mudou-se a forma de investigar, de indenizar e de trabalhar com a reparação”, observa.
O acidente com o Fokker 100 da TAM foi causado por uma falha no reversor da turbina direita, que se abriu durante a decolagem, desestabilizando a aeronave. Após a investigação, não houve responsabilização por parte das autoridades. A Latam Airlines Brasil expressou solidariedade às famílias afetadas, ressaltando que está comprometida em apoiar os familiares.
“Desde o primeiro momento, a empresa se empenhou em ajudar de todas as maneiras possíveis”, afirmou a companhia, que também implementou mudanças recomendadas para evitar tragédias similares no futuro.

